sábado, 9 de junho de 2007

A Viagem


Dia desses, li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem.

Uma comparação extremamente interessante, quando bem interpretada.

Interessante, porque nossa vida é como uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, de pequenos acidentes pelo caminho, de surpresas agradáveis com alguns embarques e de tristeza com os desembarques...

Quando nascemos. Ao embarcarmos nesse trem encontramos duas pessoas que, acreditamos que farão conosco a viagem até o fim: Nossos pais.

Não é verdade. Infelizmente, em alguma estação, eles desembarcam, deixando-nos órfãos dos seus carinhos, proteção, amor e afeto.

Mas isso não nos impede que, durante a viagem, embarquem pessoas interessantes, virão ser especiais para nós: Nossos irmãos, amigos e amores.

Muitas pessoas tomam esse trem a passeio. Outros fazem à viagem experimentando somente tristezas.

E no trem há também outras que passam de vagão em vagão, prontos para ajudar quem precisa.

Muitos descem e deixam saudades eternas. Outros viajam no trem de tal forma que quando desocupam seus acentos, ninguém sequer percebe.

Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferentes do nosso. Isso nos obriga a fazer a viagem separados deles. Mas isso não nos impede de, com grande dificuldade atravessarmos nosso vagão e chegarmos até eles. O difícil é acertamos que não podemos sentar do lado, pois outra pessoa estará ocupando esse lugar.

Essa viagem é assim, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques.

Sabemos que esse trem jamais volta.

Façamos essa viagem da melhor maneira possível, tentando manter um bom relacionamento com todos, procurando em cada um o que tem de melhor, lembrando sempre que, em algum momento do trajeto poderão fraquejar, e, provavelmente precisamos entender isso. Nós mesmos fraquejamos algumas vezes, e certamente alguém nos entenderá.

O grande mistério é que não sabemos em qual parada desceremos.

E fico pensando: Quando descer desse trem sentirei saudades? SIM.

Deixar meus filhos viajando sozinhos será muito triste. Separar-me dos amigos que nele fiz, do amor da minha vida, será para mim dolorido.

Mas me agarro na esperança de que, em algum momento estarei na estação principal, e terei a emoção de vê-los chegar com sua bagagem, que não tinham quando embarcaram.

E o que me deixará mais feliz é saber que, de alguma forma, eu colaborei para que essa bagagem tenha crescido e se tornando valiosa.

Agora, nesse momento, o trem diminuiu a velocidade para que embarquem e desembarquem pessoas. Minha expectativa aumenta, a medida que o trem vai diminuindo a sua velocidade...

Quem entrará? Quem sairá?

Eu gostaria que você pensasse no desembarque do trem, não só como a morte, mas, também, como o término de uma história, de algo que duas ou mais pessoas construíram e que, por um motivo ínfimo, deixaram desmoronar.

Fico feliz em perceber que certas pessoas como nós, têm a capacidade de reconstruir e recomeçar. Isso é sinal de garra, luta, é saber viver, e tirar o melhor de “todos os passageiros”.

Agradeço muito por você fazer parte da minha viagem, e por mais que nossos assentos não estejam lado a lado, com certeza, o vagão é o mesmo.

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